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RESENHA DO CENTRO VERTICAL DE AUTOGESTÃO EM UMA ÓBVIA ÓPTICA CORPORATIVA

 SANTANA, Eduarda¹

Faculdade IBC

eduardasantanacoach@gmail.com

O filme “o poço” de 2020, uma produção original Netflix classificada como terror, drama e suspense, longe de ser um roteiro para ser apreciado com pipoca em família no final de semana, apresenta um intrigante cenário que combina assuntos política e religiosamente polêmicos de forma altamente crítica em múltiplas linhas de raciocínio por meio de um conjunto de cenas fortes que torna o filme atrativo para um público mais restrito. E é sobre o universo empresarial e endomarketing que o filme “o poço” será aqui resenhado.

O filme se passa em 4 ambientes distinto:

  1. A sala de entrevista, onde são alinhadas as informações sobre ingresso no local;


  1. A cozinha com um cardápio e cultura predominantemente francesa;


  1. O Centro Vertical de Autogestão (CVA) onde 666 leitos são distribuído por 333 andares, chamado também de uma espécie de prisão, ambiente que dá nome ao filme;

  2. O fundo do poço, onde se dá a cena final.

Em aspecto empresarial a cozinha representa o departamento de produção e logística, responsável por preparar e entregar o produto ao cliente final.

A Imoguiri representa a colaboradora que melhor conhece a empresa aos olhos da administração que durante os 25 anos que lá trabalhou acreditou que o Centro Vertical de Autogestão (CVA) era um produto eficaz para gerar solidariedade espontânea, e durante os últimos 8 anos seu trabalho foi entrevistar cada cliente para ingressar, seria como uma consultora de vendas. Com o objetivo de aproveitar seus últimos dias de vida em um ambiente que acreditava ser agradável, já que após 3 anos de luta contra o câncer já estava condenada ingressou para usufruir do paraíso que vendia.





O produto ofertado pela empresa é a experiência de dividir um quarto com uma pessoa diferente a cada mês em 333 andares diferentes, definido de forma aleatória, com uma arrojada estratégia de que no andar 0 (zero) é realizado o envio da refeição de todos com o suficiente para cada um e pratos de preferência conforme informado ao entrar, em uma única mesa que leva as refeições através dos andares de forma que para a satisfação de todos é necessário que se consuma unicamente o suficiente, e esta é a grande aposta para gerar a tal da solidariedade espontânea do CVA.

O comportamento de Imoguiri revela o resultado do endomarketing, a venda de um produto que gera transformação social e promete um paraíso através de um ambiente teoricamente planejado. E a ilusão de descobrir que o sistema não funciona mesmo diante da rigidez administrativa para entrega do produto, pois as pessoas comem como se não houvesse amanhã e dando fim à comida muito antes de alimentar as pessoas do no que ela acreditava ser o último andar, o 200, e ao virar o mês, ao amanhecer no nível 202 escolher o suicídio.

Trimagasi representa o cliente compulsório que é inserido no CVA como uma reabilitação social, ao invés de ir para cadeia, mas para ele o efeito foi antagonicamente pior, revelando astúcia ilimitada na luta pela sobrevivência, que que deveria permanecer ali por 12 meses e só faltava 3.

Goreng é hora um homem comum que ingressa no CVA para reabilitação pelo período de 6 meses que ficará sem cigarro e receber um certificado homologado ao final, hora um militante comunista, hora o próprio Dom Quixote, hora Jesus Cristo, mas sempre em processo de desenvolvimento, descobrindo, processando e se posicionando.

A panna cotta foi uma sobremesa fina escolhida para retornar aos colaboradores afim de intrigar a administração para corrigir os erro do produto, pois nunca se colocaram para ouvir seus clientes.






Miharu era uma moça que estava no CVA há 10 meses, não conversava e carregava um boato de que tinha um(a) filho(a) que procurava através dos andares junto à comida, mesmo com a rigidez da administração para não entrar menores de 16 anos.

Mali é uma criança que é localizada nos últimos andares do CVA que espanta Goreng e Baharat enquanto protegiam a panna cotta, após alimentar a criança com a panna cotta Baharat teve a brilhante ideia de utilizar a Mali como mensagem no ligar da panna cotta, visto que não deveria haver uma criança no CVA.


Entre cenas e personagens é possível chegar a conclusão de que por mais que o produto seja rigidamente produzido com qualidade e os colaboradores compreendam e até abracem a cultura da organização, ouvir o cliente para alinhar expectativas e realidades do produto oferecido é um pilar crucial para a congruência do negócio, pois uma empresa precisa de colaborador, produto e cliente na mesma linha temporal (realidade).

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1 Bacharel em Ciências Contábeis, atua como coach e é aluna do curso de graduação em Gestão de Tecnologia em Gestão de Recursos Humanos da Faculdade IBC. 

Palavras-chave: o poço, netflix, endomarketing, gestão de recursos humano.

Referências

O Poço (Netflix), um filme de Galder Gaztelu-Urrutia com Ivan Massagué, Zorion Eguileor, Antonia San Juan, Emilio Buale. 2020.

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