Eduarda Santana
Faculdade
IBC
eduardasantanacoach@gmail.com
RIBEIRO, Djamila. Pequeno Manual Antirracista. São Paulo. Companhia das Letras, 2019. 136 páginas.
Podemos
iniciar com a definição genérica que é relatada às crianças logo cedo de que os
negros foram escravizados, e mais, a vida anterior é simplesmente omitida. Os
negros foram acusados de serem passivos ante a escravidão. A princesa Isabel é exaltada
como uma redentora aos negros. Uma perspectiva unilateral. Segundo Djamila, é
apropriado que se troque o termo “a população negra era escravizada” por “a
população negra foi escravizada” para desvincular a conotação de condição
natural e assim fica mais intuitivamente compreensível que a escravização fez
parte de um dado período da história.
Para a
autora refletir sobre aspectos ignorados pela maioria da população é uma
experiência complexa e dinâmica, pois seu pai Joaquim José Ribeiro dos Santos, ativista
do movimento negro, que ajudou a fundar o Movimento Comunista em Santos, sempre
debateu sobre isso em casa, o que proporcionou profundas reflexões em relação a
si e o mundo. Djamila introduz o tema no livro com a definição de racismo no
Brasil como um debate estrutural e a necessidade da contextualização histórica
de escravidão e racismo, considerando seus frutos.
Enquanto a
Constituição do Império de 1824 definia a educação como direito do cidadão, as
pessoas negras escravizadas não foram consideradas ao menos cidadãs naquele
cenário, já que o que valia neste contexto eram suas posses e rendimentos. A
Lei de Terras de 1850 também foi um movimento mercadológico de segregação onde
para ser proprietário de terras era necessário utilizar de recursos
indisponíveis para pessoas ex-escravizadas. É perceptível na história do Brasil
a construção de uma cultura que segrega e desprestigia tudo que se relaciona ao
negro após a escravidão.
O sistema
escravocrata no Brasil revela peculiaridades que remetem à necessidade de
análises mais profundas em se tratando de classificação de impacto, pois o
contexto é ímpar à outras geolocalização, visto que a história foi escrita e
multiplicada por uma perspectiva unilateral. Enquanto paralelamente o racismo
como estrutura basilar do relacionamento social pauta de movimentos de pessoas
negras há anos. Assim Djamila define o racismo como “um sistema de opressão que
nega direitos, e não um simples ato de vontade de um indivíduo”.
O contexto
é tão profundo e de tamanha complexidade que o objetivo da autora é amparar
aquele que se permite descobrir a realidade com o convite de urgência à mudança
de comportamento através da prática antirracista por meio de atitudes no
cotidiano. Percebe-se no primeiro momento a necessidade de não rotular a si
como racista ou não e substituir pela indagação de o que se faz “ativamente
para combater o racismo”, todavia a autora ainda destaca a existência de outros
grupos sociais em que a opressão estrutural também faz vítimas.
Djamila
Ribeiro expõe sua intenção de “apresentar alguns caminhos de reflexão [...]
para quem quiser aprofundar sua percepção de discriminações estruturais e
assumir a responsabilidade pela transformação de nossa sociedade” através da
obra o Pequeno Manual Antirracista.
Comentários
Postar um comentário