Sabe o que acontece quando a empresa promove a cargos de liderança pessoas que acham que o ambiente de trabalho é o quintal de casa? O passivo trabalhista bate à porta em formato de "piada". Se a sua diretoria acha normal tolerar gestores que usam a humilhação como ferramenta de poder, recomendo que reservem um orçamento exclusivo só para pagar indenizações.
Uma atendente diagnosticada com Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) processou a empresa após ser "premiada" pelos próprios superiores com o "troféu de funcionária mais lerda". A Justiça do Trabalho, como era de se esperar de quem julga com base técnica e não em achismos, não achou a menor graça. A empresa foi condenada a pagar R$ 20 mil em indenização por danos morais.
O que muita diretoria não entende é que o assédio e a discriminação deixaram de ser apenas "problemas de RH" para se tornarem um risco legal mapeado. O fator de risco psicossocial aqui grita sob a ótica da NR-1: Relações Interpessoais.
Um ambiente onde o conflito, o deboche e a hostilidade são os métodos de comunicação padrão revela uma falha crítica de governança. Submeter um profissional — especialmente um neurodivergente — a um constrangimento público desse nível prova que a empresa não tem controle algum sobre como as pessoas interagem e colaboram dentro da operação.
R$ 20 mil jogados no lixo porque alguém quis dar uma de engraçadinho no expediente. Quando o caso cai na mesa do juiz, a desculpa do "foi só uma brincadeira" desmorona na primeira oitiva. A perícia e a Justiça olham para a total ausência de processos preventivos e punem a empresa não só pelo ato vexatório, mas pela negligência em manter um ambiente de trabalho minimamente saudável e seguro. É a margem de lucro sangrando por falta de maturidade gerencial.
Proteger o faturamento da empresa exige varrer o amadorismo da liderança. Como implementadora de NR-1, me preocupo profundamente em observar como as empresas ainda falham em preparar suas lideranças para lidar com a diversidade e com a complexidade do comportamento humano.
Achar que o problema se resolve com uma "conversa de corredor" é ingenuidade. Através de uma Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) cirúrgica, é possível diagnosticar exatamente onde as relações interpessoais estão apodrecendo a cultura da empresa. Instituir parâmetros claros e profissionais de convivência elimina o passivo trabalhista antes que um gestor sem noção resolva criar o próximo "troféu".
No fim do dia, gerenciar gente exige método, respeito e conformidade. Como costumo repetir nos corredores: não é fofoca, é benchmarking.
Eduarda Bispo
A chata da firma que entende de gente, implementa a NR-1 e avisa antes do prejuízo bater na porta.
Fonte: G1 - Atendente com TDAH é indenizada em R$ 20 mil após receber 'troféu de funcionária mais lerda'
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