R$ 151 mil no ralo: O preço que a empresa paga por tolerar assédio moral e chamar de "cultura forte"
Sabe aquela liderança que acha que para dar resultado precisa gritar, humilhar e testar o limite psicológico da equipe? Tem diretoria que ainda bate palma e chama isso de "gestão de alta performance". Mas a conta desse amadorismo chegou para mais uma empresa, e o valor do cheque não é nada amigável.
Se a sua diretoria acha que fechar os olhos para o assédio moral economiza o tempo do RH, é bom pedir para o financeiro separar uma reserva de emergência gigantesca.
A Justiça do Trabalho condenou uma empresa a pagar R$ 151 mil a uma empregada que desenvolveu Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG) após ser vítima de assédio moral no ambiente de trabalho. A perícia técnica foi cirúrgica ao estabelecer o nexo causal: não foi um "problema pessoal" que adoeceu a trabalhadora, foi o ambiente tóxico e hostil mantido, ou ignorado, pela própria organização.
Quando o processo chega, a defesa corporativa tenta emplacar a velha desculpa do "não sabíamos de nada" ou "é um caso isolado". Sob a ótica da NR-1, isso é confissão de incompetência gerencial. O erro aqui atinge em cheio um fator de risco psicossocial estrutural: Relações Interpessoais.
Um ambiente de trabalho onde o assédio prospera significa que a governança falhou miseravelmente. Não há canais de denúncia eficientes, não há preparo da liderança e não há limites de conduta. Tolerar o abuso não é "estilo de gestão", é risco ocupacional não mapeado explodindo dentro da operação.
Eis o tamanho do estrago: R$ 151 mil reais jogados no lixo. Isso não é uma multinha administrativa de fiscalização; é o lucro de meses de trabalho de uma equipe inteira sendo transferido para pagar indenização por pura falta de gestão. Quando o juiz pega o laudo pericial atestando o TAG causado pelo assédio, a empresa paga danos morais, materiais e arca com as consequências do afastamento. Tentar varrer o comportamento abusivo de um gestor para debaixo do tapete custa infinitamente mais caro do que treiná-lo ou demiti-lo.
Proteger o caixa da empresa não se faz com palestrinha motivacional sobre empatia; faz-se com processos e gestão de riscos estruturada.
Como implementadora de NR-1, me preocupo profundamente em observar como ainda falta preparo no mercado corporativo. Muitas organizações continuam tomando decisões críticas sem um responsável técnico capacitado para orientar a diretoria sobre o tamanho desse passivo invisível. Através de uma Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) cirúrgica, é perfeitamente possível rastrear onde as relações interpessoais estão se deteriorando, instituir processos de controle reais e varrer o passivo trabalhista antes que ele vire uma condenação de seis dígitos.
No fim do dia, gerenciar gente exige método, e não achismo. Como costumo repetir nos corredores: não é fofoca, é benchmarking.
Eduarda Bispo
A chata da firma que entende de gente, implementa a NR-1 e avisa antes do prejuízo bater na porta.
Fonte: Migalhas - Empregada que desenvolveu transtorno de ansiedade após assédio receberá R$ 151 mil
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